Pedra da Mina: 4º pico mais alto do Brasil

Deus me livre e Misericórdia, nomes de dois morros que subimos e descemos até alcançarmos a Pedra da Mina: 4º pico mais alto do Brasil, já davam spoilers do quanto seria desafiador chegar ao topo. Para mim, foi bem puxado!

 

O que posso e devo te dizer de antemão é: planejamento e preparação são primordiais em qualquer trekking. Neste caso, eu deveria ter treinado mais para realizar essa proeza. Agradeço por ter sido resgatada e lamento por ter atrasado o grupo, mas não contava que os meus dois joelhos me deixariam na mão. Passado o perrengue, o que restou na mochila foi uma conquista repleta de superação, parceria, aprendizado e significados, que quero compartilhar com você!

 

Antes de nos aprofundarmos na Pedra da Mina, falarei sobre a geografia da região, onde me deparei com uma obra de arte que combina demais com o verso da canção de Jorge Ben Jor: “Moro. Num país tropical. Abençoado por Deus. E bonito por natureza, mas que beleza” (aposto que você leu cantando). Como um convite à leitura, faço

questão de colocar a foto em que pareço estar dentro de uma obra de arte esculpida para retratar a imensidão de um mar de morros e picos em harmonia.

 

Pedra da Mina: 4º ponto mais alto do Brasil
Pedra da Mina: 4º ponto mais alto do Brasil

Serra da Mantiqueira

A Pedra da Mina fica na Serra Fina, uma seção do maciço da Serra da Mantiqueira, que possui aproximadamente 500 km de extensão, e inicia-se perto da cidade de Bragança Paulista, em São Paulo, segue para o leste delineando as divisas de três estados brasileiros, até a região do Parque Nacional do Itatiaia, no Rio de Janeiro, onde adentra Minas Gerais até o município de Barbacena.

 

Da Pedra da Mina avistamos outros belos picos, como: das Agulhas Negras (2.791 metros de altitude), dos Marins (2.420,7 metros de altitude), das Prateleiras (2.539 metros de altitude), entre outros.

Pico das Prateleiras
Pico das Prateleiras

Trilhas da Serra Fina

– Trilha do Capim Amarelo

Por exigir menos condicionamento físico, é bem popular, mas não deixa a desejar no quesito lindeza. Durante seus 9,2 km (ida e volta), tem-se uma ótima experiência visual, principalmente, na passagem pelo Passo dos Anjos. O Pico do Capim Amarelo tem 2.392 metros de altitude, com desnível total de 1.072 metros.

 

– Trilha dos Três Estados

Como o próprio nome diz, fica no ponto tríplice da divisa geográfica, mais precisamente nas cidades de Itanhandu, Passa Quatro (Minas Gerais), Queluz (São Paulo) e Resende (Rio de Janeiro). O desnível chega a 1.560 metros. É o 10º ponto culminante do Brasil, com 2.665 metros de altitude. Para alcançar o cume, ao todo, são 19,5 km de caminhada, que podem ser percorridos em um único dia ou com pernoite.


– Travessia da Serra Fina

Quem encara os 26 km da trilha – clássica ou reversa, que possui o maior desnível topográfico do território brasileiro, vence mais de 20 cumes, com trechos acima de 2.000 metros de altitude. Exaustivo? Com toda certeza! Mas o fato é, ao completar a façanha, o aventureiro terá conquistado um dos treekings mais difíceis e bonitos do país.

 

O Complexo da Serra Fina não é uma área pública, e sim, um grande mosaico de propriedades privadas, no qual seus proprietários assumiram o compromisso de preservá-lo perpetuamente. Caso queira entrar em contato com a Associação dos Proprietários da Serra Fina – APSF, visite o @apsf.serrafina.

 

Quem faz o gerenciamento de acesso à Serra Fina é o Ruah! Ecoturismo. Instagram: @ruahecotur.

 

Vista privilegiada do Deus me Livre
Vista privilegiada do Deus me Livre

 

Pedra da Mina: 4º pico mais alto do Brasil

Algumas informações que você verá neste post foram retiradas do Atlas Geoambiental elaborado pelo Professor Roberto Marques e sua equipe, da Universidade Federal de Juiz de Fora; e também da Cartilha-APSF-ICMBio.

 

Geoatlas Serra Fina. Foto: Instagram @apsf
Geoatlas Serra Fina. Foto: APSF

O que você precisa saber antes de fazer a Trilha da Pedra da Mina 

Especialistas consideram o percurso da Pedra da Mina difícil, porque é marcado por aclives, falsos cumes e terrenos acidentados e escorregadios, o que exige um grau elevado de preparo físico e psicológico. Não é um desafio para iniciantes. Caso não tenha experiência e não entenda de navegação, é recomendado contratar um guia credenciado.

 

– Para acessar a trilha, é preciso fazer o cadastro:

https://trilhaserrafina.com.br/cadastro-do-visitante/

 

– É necessário adquirir um ingresso no www.trilhaserrafina.com.br , ou pelo WhatsApp: (35) 99905-4499. Consulte o valor no site.

 

– A portaria abre às 5h da manhã, e é obrigatório assinar um Termo de Responsabilidade,

www.trilhaserrafina.com.br/termo-de-responsabilidade

 

Fogueiras são estritamente proibidas.

Em julho de 2020, um incêndio criminoso queimou cerca de 600 hectares da Serra Fina. O combate às chamas durou sete dias, e envolveu um grupo de 100 profissionais, entre eles, bombeiros de São Paulo e Minas Gerais, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG), da Força Aérea Brasileira, do Comando da Aviação do Exército e Marinha; e mais 90 voluntários.

Foi uma perda de biodiversidade incalculável, e a Serra Fina só foi reaberta em maio de 2022.

 

O que levar na Trilha da Pedra da Mina

Vestuário
Use peças confortáveis e compatíveis à temperatura. O que sempre nos ajuda a enfrentar o frio no montanhismo é usarmos o sistema de camadas. Você já ouviu falar? Ele nada mais é do que uma combinação de roupas de diferentes tipos para garantir o conforto térmico durante atividades ao ar livre, mas que também é utilizado no meio urbano.

 

Para as nossas funções metabólicas e fisiológicas trabalharem de maneira adequada, o ideal é mantermos a temperatura do corpo entre 36,6 e 37ºC. Voltando a falar do sistema de camadas, ele funciona assim:

 

Primeira camada: segunda pele.

Segunda camada: fleece, pluma e sintética.

Terceira camada: Anorak (corta-vento e impermeável).

 

Calçado

Escolha um calçado adequado e amaciado (que já tenha sido usado). Recomenda-se bota apropriada para a atividade, em especial, que não escorregue.

 

Bota para trekking
Bota para trekking

Hidratação

Como a hidratação é fundamental, é bom você saber que no caminho passamos por dois pontos de abastecimento. Recomendo levarem Clorin, produto de cloro orgânico indicado para deixar potável (pronta para beber) a água de nascentes, rios, mananciais, cachoeiras ou chuvas. Basta diluir uma pastilha purificadora de 125 mg em 500 ml ou 1 litro, aguardar 30 minutos e pronto.

 

Lanterna de cabeça (headlamp)
Um outro item que é imprescindível aos trilheiros é a lanterna de cabeça (headlamp), a que eu usei me ajudou um pouco na ida, e na volta, foi essencial, já que enfrentei alguns perrengues e demorei para retornar à portaria. Recentemente, adquiri uma na Decatlon e gostei bastante, o modelo é a Lanterna Frontal recarregável – HL 500 USB V2 – 200 lúmens, mas há várias disponíveis no mercado.

 

Lanterna de cabeça (headlamp)
Lanterna de cabeça (headlamp)

Leia também:

https://vaviaje.com.br/dicas-para-iniciantes-em-trilhas-mulheres-no-topo/

 

Como foi fazer a Trilha da Pedra da Mina

Vou contar em detalhes esta aventura inesquecível, com direito a um resgate nada convencional. Leia até o final.

 

Minha amiga Charlene me convidou para fazermos uma trilha, juntou-se a nós, a Ariane e a Julia. Saímos de São Paulo às 23 horas de uma terça-feira, e percorremos de carro cerca de 260 quilômetros até o município mineiro de Passa Quatro, onde fica a portaria da Fazenda Serra Fina, via bairro Paiolinho.

 

Ainda estava escuro, eram 5h30 da manhã, quando iniciamos a pernada, e bota pernada nisso! Ao todo, andamos 15 quilômetros. Embora fosse bem cedinho, até que não fazia tanto frio.

 

A caminhada foi uma verdadeira saga, no melhor estilo O Senhor dos Anéis! Apesar do cansaço, valeu cada segundo. Logo nas primeiras pegadas fomos agraciadas com um belo nascer do sol meio cor-de-rosa que  atravessava os galhos das árvores antes de tocar nosso rosto. Estava lindo demais.

 

O percurso de 15 km até o topo da Pedra da Mina: o 4º pico mais alto do Brasil começou com partes retas que se alternavam com outras ascendentes. O trajeto é um reduto ecológico, onde muitas espécies da fauna e da flora brasileira compartilham espaço com o verde da Mata Atlântica, um importante bioma composto por florestas e ecossistemas riquíssimos em biodiversidade.

 

Belezas da Mata Atlântica
Belezas da Mata Atlântica

Ao percorrer aproximadamente 4 km de áreas de baixa inclinação, foi chegada a hora de encarar o temido “Alto do Deus me Livre”. Caminhamos pela vegetação de Campos de Altitude e por cristas com vista para o Vale do Rio Verde.

 

Depois de umas 3 horas e 30 minutos, bravamente, ficamos diante da plaquinha: Deus me Livre – 2.517 metros de altitude. Apesar de ser parte da realização, por si só foi digna de aplausos!

Alto do Deus me livre - 2.517 metros de altitude
Alto do Deus me Livre – 2.517 metros de altitude

Aproveitamos para tomar água, comer e descansar um pouco, para seguirmos firmes o trajeto, uma vez, que a gente tinha atingido uma das metas, agora, era a hora de dobrá-las. Se é que me entende.

 

Subidas e mais descidas, e eu seguia iludida com os falsos cumes. Na ida, senti um incômodo em um joelho. Pensei em abortar a missão, mas as meninas me encorajaram a continuar, pois faltava muito pouco. Meu corpo e minha mente só pensavam no meme da velhinha do Titanic: “Já faz 84 anos”, até que finalmente o sonho se concretizou!

 

A vista é espetacular
A vista é espetacular

Era meio-dia e meia, sete horas após o início da empreitada. Cheguei 30 minutos depois delas, com aquela sensação de quando um filho chora e a mãe não vê!

 

Estava cansada, porém feliz. É típico do montanhismo provocar essa dualidade. O ímpeto de pensar em desistir, e ao mesmo tempo, a vontade de dar o melhor de si, de reunir todas as forças para superar os desafios e alcançar o ápice. Caramba! EU CONSEGUI!

 

Pedra da Mina - 2.798 metros de altitude
Pedra da Mina – 2.798 metros de altitude

Ofegante e em êxtase, meu coração custou a desacelerar com o mix de sentimentos, queria chorar, hibernar ali mesmo, chamar um helicóptero, extravasar minha felicidade ou entrar em desespero só de lembrar que tudo que vai, geralmente, volta, ou seja, tinha o retorno. Enfim, estava lá, e ainda encontramos um moço sozinho.

As meninas superpoderosas
As meninas superpoderosas

O mais incrível foi sentir meus pezinhos exaustos tocarem o Marco Geodésico (mais adiante explicarei o que é). Cheguei a 2.798 metros de altitude, na Pedra da Mina: o 4º ponto mais alto do Brasil!

 

Marco Geodésico - Pedra da Mina
Marco Geodésico – Pedra da Mina

O resgate na Pedra da Mina

E quem disse que, em pleno século XXI, o príncipe não pode surgir em um cavalo branco para resgatar a Donzela Guerreira (coincidentemente, é o significado do meu nome)?

 

A portaria estava prestes a fechar, a resistência dos meus joelhos entrou em conflito com os ponteiros do relógio, foi então que, sabiamente, a Charlene decidiu ir na frente avisar o funcionário da fazenda que, apesar do atraso, estávamos bem. A Ari e a Julia permaneceram lado a lado comigo, e eu a passos de tartaruga, caminhando com extrema dificuldade. Tenho uma eterna gratidão por tudo que as três fizeram por mim.

 

Estava bem escuro e, de repente, vi um clarão vindo ao nosso encontro. Pensei que fosse apenas uma pessoa com uma lanterna, eis que meu salvador veio acompanhado do Pé de Pano (carinhosamente dei o nome do cavalinho do desenho Pica-Pau), um cavalo branco que me conduziria até a saída.

 

Resgate na Pedra da Mina

Resgate na Pedra da Mina

 

Faltava só um trecho, voltei cavalgando e desviando de galhos de árvores (porque agora estava em um plano mais alto). Teve um momento em que o trajeto ficou estreito, um pouco íngreme, e o meu corpo tombava para frente, mas o tempo todo eu me senti segura. O rapaz da Fazenda foi bem cauteloso e gentil.

E sendo sincera, contei os segundos para avistar logo a portaria. O importante é que cheguei sã e salva. Ahh, e ainda dividi o volante com a Charlene no retorno a São Paulo.

 

O que é o Marco Geodésico?

Para descobrir o tamanho de algo baixo, uma simples trena resolve. Agora, imagine medir uma montanha ou um pico. Como será que isso é feito?

 

Para começar, é importante entender a diferença entre altura e altitude de um determinado relevo. O primeiro leva em consideração a distância vertical da base até a extremidade. O segundo baseia-se na distância vertical em relação ao nível do mar.

 

Com o objetivo de levantar dados de alguns cumes de difícil acesso no Brasil, o “Projeto Pontos Culminantes” contou com o auxílio da tecnologia nessa missão. Utilizaram o receptor de GPS (Sistema de Posicionamento Global) – sofisticado sistema de navegação e posicionamento por satélite – para obter coordenadas (e também latitude e longitude) com maior precisão. O estudo foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com a colaboração do Instituto Militar de Engenharia (IME).

 

Até 1965, acreditava-se que o lugar mais alto do território nacional seria o Pico da Bandeira. Tudo mudou quando encontraram lá no Amazonas, o imponente Pico da Neblina, com seus 2.995,3 metros; e o Pico 31 de março, com 2.974,2 (medições atualizadas pelo IBGE em 2016). Com isso, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, localizado a 2.891,3 metros de altitude, o Pico da Bandeira, o 3° mais elevado do nosso país.

 

Pico da Bandeira Pico da Bandeira: 3º ponto mais alto do Brasil

O que é o livro de cume?

Depois de horas e horas de caminhada, superando desafios e contemplando lindas paisagens, na chegada ao topo de alguns picos e montanhas espalhados pelo mundo, há uma caixinha com um caderno dentro. Nele, trilheiros, montanhistas e escaladores colocam dados, como nome, cidade onde mora, data do feito e uma frase.

 

Livro de cume fica no topo da Pedra da Mina
Livro de cume

Além de consolidar o feito, os registros auxiliam o Corpo de Bombeiros nas operações de resgate em casos de desaparecimento e servem como controle estatístico do local. A importância do Livro de Cume não para por aí, ele também ajuda a contar a história da Humanidade.

 

Melhor época do ano para subir a Pedra da Mina: 4º pico mais alto do Brasil

No Brasil, a temporada de montanha vai de abril a meados de outubro, para evitar riscos e tornar a atividade ao ar livre mais prazerosa, isso porque, neste período, há menos chuvas e animais peçonhentos, e as temperaturas são mais amenas.

 

E vale ressaltar que APSF anunciou oficialmente o fechamento da Serra Fina até o dia 31/03/2024, para a conservação do ecossistema e a segurança dos visitantes. Até lá, serão realizados trabalhos de manejo, sinalização e limpeza das trilhas. Segundo a Associação, as melhorias serão postadas no Instagram @apsf.serrafina.

 

Como chegar à portaria da Fazenda da Serra Fina

Aeroporto

Por ser uma travessia muito procurada por montanhistas de várias partes do mundo, é importante informar que o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos é o mais próximo de Passa Quatro, fica cerca de 250 km, por volta de 3 horas e 40 minutos.

 

Carro

A maior parte da viagem foi pela rodovia Dutra (BR-116). Optamos pela estrada do Paiolinho, sendo 14 km do trevo de Passa Quatro até a entrada. Fui com um veículo 1.0 e encontrei um ou outro trecho acidentado. O início da trilha fica a 8,4 km da MG 158 pela estrada do bairro Quilombo até a Fazenda Toca do Lobo. O gasto total com pedágio é de R$ 63,80. (13/01/2024).

Estrada de terra para a Fazenda da Serra Fina
Estrada de terra para a Fazenda da Serra Fina

Ônibus

Para quem sai de São Paulo, basta pegar um ônibus na Estação Rodoviária do Tietê até Passa Quatro. A viagem dura 4 horas e 35 minutos, e custa em média R$ 145,00 (valor em 13/01/2024).

 

Dentre tantos aprendizados, alguns me marcaram para sempre. Primeiramente, pela parceria, agradeço as trilheiras que foram comigo e me incentivaram a continuar, a Charlene, Ariane e Julia; ao rapaz e seu cavalo “Pé de Pano”, que me resgataram; e a Deus por ser tão generoso ao criar paisagens incríveis que aprecio e enalteço seus inúmeros significados. A conexão com a natureza me ensina sobre amor, resiliência e transformação!

 

Sou adepta e cresço muito a partir do Turismo Consciente, por isso, quero finalizar este texto Pedra da Mina: 4º pico mais alto do Brasil, com os 7 princípios éticos do Leave No Trace (Não deixe rastros), que consiste no mínimo impacto para quem visita áreas naturais, sejam em parques públicos ou em propriedades privadas, são eles:

 

1. Planeje e prepare-se com antecedência.
2. Caminhe e acampe em superfícies duráveis.

3. Descarte o seu lixo corretamente.
4. Deixe no lugar tudo que encontrar.
5. Minimize o impacto de fogueira.
6. Respeite a vida selvagem.
7. Tenha consideração pelos outros visitantes.

 

Sou paulistana, vejo no mundo um quintal, aprendo e vivencio cada vez mais a brasilidade. Jornalista, apresentadora e viajante, decidi unir a formação em Comunicação a minha paixão por experiências em viagem, e compartilhar conteúdo que conecte pessoas, sonhos e muitas histórias. Assim como eu, deseja conhecer vários lugares? Então, inspire-se: Vá, Viaje!
Post criado 10

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo