O que fazer na Ilha do Combu (PA), onde se hospedar e passeios

Imagine a minha euforia ao descobrir que, a apenas 15 minutos de barco de Belém, é possível ouvir histórias e conhecer pessoas maravilhosas que mantêm viva a autêntica cultura ribeirinha. Na Ilha do Combu, no Pará, tradição, resistência e amor à natureza se misturam no dia a dia de famílias que vivem em palafitas e constroem seu sustento por meio do turismo, da pesca, do extrativismo, do cacau, do açaí, da culinária e de outras produções artesanais passadas de geração em geração.

 

Sou grata por essa breve, porém profunda e significativa imersão. Para que você também possa viver e apreciar momentos especiais nesse pedacinho da região Norte do Brasil, compartilho algumas descobertas: o que fazer na Ilha do Combu (PA), onde se hospedar e passeios.

Ilha do Combu: a quarta maior no entorno de Belém
Ilha do Combu: a quarta maior no entorno de Belém

Conheça a Ilha do Combu

Na Ilha do Combu, a vida reflete o compasso suave das águas do Rio Guamá, em uma calmaria que convida a desacelerar. Embora esteja muito perto do burburinho do grande centro, visitá-la é como atravessar um portal invisível, onde vemos Belém pelo retrovisor e mergulhamos na tranquilidade da Floresta Amazônica.

 

Com cerca de 15 quilômetros quadrados, é considerada a quarta maior ilha no entorno da capital paraense. Sua geografia, marcada por igarapés sinuosos, igapós, trilhas e canais, integra uma Área de Proteção Ambiental, preservando a biodiversidade e o modo de vida ribeirinho. É lar de aproximadamente 1.500 moradores, distribuídos em cerca de 600 famílias que vivem em comunidades tradicionais, como: Furo do Benedito, Furo da Paciência, Beira Rio Guamá, Igarapé Piriquitaquara e Igarapé do Combu.

A Ilha do Combu possui área de igapô, furos e igarapés
A Ilha do Combu possui áreas de igapó, furos e igarapés

O que fazer na Ilha do Combu (PA), onde se hospedar e passeios

A Ilha do Combu é um lugar mágico, ideal para quem busca relaxar, desfrutar dos recursos naturais com consciência e aprender com os nativos. O destino oferece opções de hospedagem únicas, trilhas ecológicas, passeios sensoriais pela mata, vivências ribeirinhas, visitas a espaços de artesanato e à produção de chocolate artesanal, além da observação da fauna e da flora. Some a isso restaurantes charmosos com decks à beira-rio, música ambiente e ao vivo, apresentações de carimbó e pratos tradicionais da região, e você terá uma experiência completa e envolvente.

 

Vou compartilhar um pouco do que tive a honra de ver e sentir, mas saiba que existem muitas outras atrações. Por isso, ao longo do conteúdo, deixarei o contato de agências, guias e moradores que podem te conduzir a viver momentos encantadores nesse lugar simplesmente fora do comum.

Passeios na Ilha do Combu

Casa do Chocolate da Dona Nena

Se há algo no mundo que beira a unanimidade, é o chocolate. Tem quem goste mais, tem quem goste menos. Mas você já se perguntou como ele é feito?

Nessa viagem, conheci uma produção artesanal e em pequena escala dessa iguaria na Filha do Combu, uma fábrica que une a cultura ribeirinha à sustentabilidade.

Visita à Filha do Combu
Visita à Casa do Chocolate da Dona Nena – Filha do Combu

Participei de uma visita guiada à Casa do Chocolate da Dona Nena. Iniciamos a trilha ecológica pela Floresta Cacau Orgânico contemplando uma samaumeira com estimativa de 280 anos e cerca de 40 metros de altura.

Samaumeira tem mais de 280 anos, fica na Filha do Combu
Samaumeira com estimativa de 280 anos – Casa do Chocolate da Dona Nena

O cacaueiro, árvore perenifólia (folhas verdes o ano todo), surgiu na segunda curva da passarela de madeira, durante o tour. Embora o cacau tenha origem no Brasil, atualmente nosso país ocupa a sexta posição entre os maiores produtores mundiais, com aproximadamente 220 mil toneladas por ano. O Pará lidera a produção nacional, à frente da Bahia, que por anos assumiu a primeira colocação do ranking. Não são só os paraenses e os baianos que oferecem vivências ligadas ao fruto, há outros destinos interessantes, como a Rota do Cacau Capixaba (Espírito Santo), o Chocolate Artesanal de Gramado (Rio Grande do Sul) e o Chocolate de Campos do Jordão (São Paulo).

O estado do Pará é o maior produtor nacional de cacau
O estado do Pará é o maior produtor nacional de cacau

Seguindo o passo a passo, vimos os processos de colheita, fermentação e secagem das amêndoas de cacau fino.

Floresta Cacau Orgânico da Filha do Combu: colheita, fermentação e secagem
Floresta Cacau Orgânico da Filha do Combu: colheita, fermentação e secagem

Para encerrar a atividade de uma hora de duração, acompanhamos uma experiência gastronômica, incluindo degustação de chocolate quente, de café e do famoso brigadeiro.

Degustação de brigadeiro durante visita guiada na Filha do Combu
Visita guiada na Filha do Combu: degustação do famoso brigadeiro

E, claro, não poderíamos partir sem conhecer um pouco da história da Izete Costa. Das mãos e da garra dessa produtora rural nasceu um modelo de negócio especial: chocolates puros e saudáveis, feitos com apenas dois ingredientes, cacau e açúcar orgânico, sem leite, corantes, conservantes ou aromas artificiais. Dona Nena, como é carinhosamente conhecida, transformou a marca Filha do Combu em um símbolo da criatividade e da resistência da mulher ribeirinha.

 

Horários: 10h, 12h, 14h e 15h30

Ingressos (valores em 02-05-26): Adultos – R$ 95,00. Crianças de 4 a 10 anos – R$ 50,00. Idosos acima de 60 anos – R$ 75,00.

Atenção: o transporte não está incluso no valor do ingresso.

 

Informações sobre as lojas Filha do Combu:

Endereço: Rua Aristides Lobo, 362 – Campina – Belém

Atendimento em Belém: de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h30

Atendimento na Ilha do Combu: todos os dias, das 9 às 17h

Telefone: (91) 99230-5690

Site: https://filhadocombu.com.br/

E-mail: [email protected]

Instagram: @filhadocombu

 

Quero agradecer a todos que nos receberam com tanta generosidade, em especial à guia Juliana, ao diretor Mário e à equipe da loja Filha do Combu. E deixar um recado: há muito mais a descobrir na lista de Turismo Biocultural da Vida Caboca.

 

Informações sobre a Vida Caboca Turismo:

Endereço: Rua Aristides Lobo, 362 – Campina

Telefone: (91) 99331-7843

Site: www.vidacabocaturismo.com.br

E-mail: [email protected]

Instagram: @vidacaboca

 

Banho de ervas no Ygara Artesanal & Turismo

Que tal relaxar em um spa no meio da floresta, no Ygara Artesanal & Turismo?

 

O combo terapêutico inclui massagem relaxante nas costas e nos braços e banho de cheiro, uma prática ancestral que promove o bem-estar físico e espiritual. As propriedades das ervas trazem benefícios para a pele, além de alívio do estresse, renovação de energias e fortalecimento do sistema imunológico. Não se trata de religião, embora algumas o adotem em suas práticas. Independentemente da crença de cada um, esse ritual de purificação é uma forte possibilidade de conexão com a floresta e a ancestralidade.

 

Depois de me banhar no rio, recebi das mãos do Charles o banho de cheiro, com ervas patchouli, chama, abre-caminho, catinga de mulata, entre outras. No espaço, há ainda experiências com açaí e cacau, imersões ribeirinhas, eventos de yoga, loja de artesanatos e trilha ecológica.

Produtos vendidos na loja do Ygara Artesanal & Turismo
Produtos vendidos na loja do Ygara Artesanal & Turismo

Funcionamento: de quarta-feira a domingo. É necessário agendar a visita.

Reserva: (91) 98058-2228

E-mail: [email protected]

Instagram: ygara_artesanal

 

Onde se hospedar na Ilha do Combu: Casa Magna Combure

Posso dizer, com o coração cheio, que realizei o sonho de passar a noite em um domo geodésico em meio à natureza. Não imaginei que seria tão especial. Além de uma estrutura deslumbrante, estava cercada de excelentes companhias, não apenas de pessoas, mas da própria Amazônia. Viva e pulsante, ela toca a alma de quem tem a sorte de vivenciá-la em cada aroma, cor, som e detalhe ao redor.

Domo geodésico da Casa Magna Combure
Domo geodésico da Casa Magna Combure

A hospedagem escolhida foi a encantadora Casa Magna Combure, de fácil acesso e com píer próprio para receber as embarcações. O transfer foi realizado pela agência Banzeiro Voyage & Tourism, que, além do transporte, também nos conduziu a alguns atrativos da ilha.

Casa Magna Combure - Ilha do Combu
Casa Magna Combure – Ilha do Combu

O sossego do local se intensifica com a comodidade da pensão completa, ou seja, o hóspede não precisa se preocupar com as refeições. Pelo contrário, é um convite a saborear pratos com ingredientes regionais. Entre as surpresas, experimentei o verdadeiro açaí paraense, sem açúcar, acompanhado de farinha de tapioca. Adorei o sabor e a textura, é bem diferente daquele que como em São Paulo.

 

A área comum conta com uma relaxante jacuzzi ao ar livre, rede para leitura e cozinha.

Área externa da Casa Magna
Área externa da Casa Magna Combure

Observar o céu, o rio, as estrelas e a floresta através do vidro da estrutura geodésica foi mágico, tanto de dia quanto à noite. A união perfeita entre o conforto de um lar e o cenário paradisíaco. Uma palavra define: exclusividade.

O quarto da Casa Magna é espaçoso e muito aconchegante
O quarto da Casa Magna Combure é espaçoso e muito aconchegante

A decoração é de muito bom gosto, as cores dos móveis do quarto combinam com os tons usados no banheiro.

A decoração da Casa Magna é linda e harmoniosa
A decoração da Casa Magna Combure é linda e harmoniosa

Nas dependências, há ainda um quarto com ar-condicionado e uma banheira no terraço disponível para quem quiser se hospedar.

Quarto disponível para hospedagem na Casa Magna Combure
Quarto disponível para hospedagem na Casa Magna Combure

Agradeço aos proprietários, à atenciosa Márcia, da Banzeiro – que intermediou nossa hospedagem, e à dona Luiza e sua alegria de viver. Nosso encontro tornou a estada ainda mais especial!

 

Reservas: (91) 98212-6293 / (91) 98130-1814

Instagram: @banzeirovt

Onde comer na Ilha do Combu

Restaurante Porto Combú

Assim que eu conheci o Fabrício e o Chef Arturo no estande do Pará na WTM, maior Feira de Turismo da América Latina, logo percebi que seria muito bem recebida no restaurante Porto Combú.

O formato do restaurante Porto Combú é de um barco gigante
O formato do restaurante Porto Combú é de um barco gigante

Que sorte a minha ter tido a chance de embarcar em uma gastronomia rica em cultura amazônica, com direito a apresentação de carimbó. Mais do que um almoço à la carte, foi um dia divertido.

Apresentação de carimbó no restaurante Porto Combú
Apresentação de carimbó no restaurante Porto Combú

De entrada, comemos mini pastéis com queijo do Marajó e jambu fresco. Como prato principal, a Alessandra, do Viagens de Cá pra Lá, experimentou o bregão de dois, e eu, o filé marajoara com risoto de cogumelos.

Bregão de dois, prato do restaurante Porto Combú
Bregão de dois, prato do restaurante Porto Combú

Para fechar com chave de ouro, fomos agraciadas com uma sobremesa muito gostosa, um pudim de leite com cumaru e caramelo salgado.

Filé marajoara com risoto de cogumelos - prato do Chef Arturo - restaurante Porto Combú
Filé marajoara com risoto de cogumelos – prato do Chef Arturo – restaurante Porto Combú

Funcionamento: quinta e sexta-feira, das 11 às 16h. Sábado e domingo: das 11 às 17h. É necessário fazer reserva.

Telefone: (91) 98495-3358

Site: www.portocombu.com.br

E-mail: [email protected]

Instagram: @portocombu

 

Canto dos Pássaros

Pupunha tem gosto do quê?

O senhor Nauá, de um jeito irreverente, nos arrancou boas risadas. Eu disse a ele que achava que a fruta lembrava pinhão, enquanto minha amiga Lidiane, do Partiu Viajar Blog, teve a impressão de parecer milho. O ribeirinho logo respondeu com sabedoria: “Pupunha tem gosto de pupunha mesmo.”

O simpático senhor Nauá, do Canto dos Pássaros - Ilha do Combu
O simpático senhor Nauá, do Canto dos Pássaros – Ilha do Combu

Esse bate-papo foi parar na internet e já teve visitante que chegou ao Canto dos Pássaros falando sobre isso. Veja o vídeo. Fiquei muito feliz em saber, pois cada vez mais pessoas precisam conhecer esse morador simpático da Ilha do Combu e as dependências do seu restaurante.

 

Em nossa visita, apreciamos um delicioso café regional com tapioca, ovos mexidos, sucos de frutas típicas, pães e frios. Quem nos levou lá foi a querida guia Patrícia, da agência Amazon Star Turismo (@amazonstarturismo), como parte do passeio que incluía a Ilha dos Papagaios.

 

Funcionamento: sexta, sábado, domingo e feriado, das 10 às 17h

Telefone: (91) 99383-7731

Instagram: @cantodospassaros_combu

Como chegar na Ilha do Combu

Aeroporto: O Aeroporto Internacional de Belém – Júlio Cezar Ribeiro (Val-de-Cans) fica a 12 km do centro da cidade e é o mais próximo da Ilha do Combu. Recebe voos de diversas capitais brasileiras. Dependendo do ponto de partida, as passagens podem não ser tão em conta, por isso fique de olho nas promoções das companhias aéreas. Eu consegui comprar as minhas com pontos (milhas), pagando somente a taxa de embarque.

 

Embarcação: para chegar à Ilha do Combu, é preciso ir até o Terminal Hidroviário Ruy Barata, que fica na Praça Princesa Isabel (Av. Alcindo Cacela, 4570, bairro Condor). O funcionamento é das 9 às 20h. O ingresso custa R$ 24,00 por pessoa (ida e volta) e pode ser adquirido nos guichês do terminal. Há gratuidade para crianças até 5 anos, idosos acima de 60 anos, pessoas com deficiência e seu acompanhante. A travessia pelo Rio Guamá dura em torno de 15 minutos, mas vale ressaltar que dependendo de onde você vá descer, pode demorar um pouco mais. Não há horário específico de saída das embarcações, basta adquirir o bilhete e aguardar no trapiche. Dica extra: não deixe de perguntar se o restaurante, a hospedagem ou o atrativo visitado oferecem transfer, pois alguns disponibilizam esse serviço.

 

Deseja conhecer outras maravilhas do Pará? Leia também:

www.vaviaje.com.br/alter-do-chao-para-o-que-fazer-onde-se-hospedar-e-dicas/

 

Espero ter conseguido expressar, em poucas palavras, os momentos incríveis que vivi. Agora é a sua vez: tire do papel essas dicas, embarque nessa aventura e aprecie o que fazer na Ilha do Combu (PA), onde se hospedar e quais passeios escolher. Que esse lugar singular, potente em belezas amazônicas e riqueza cultural, te encante tanto quanto me encantou.

 

Visite as comunidades ribeirinhas, respeite e valorize sua história, pratique o Turismo Consciente e incentive a economia local. Afinal, viajar com propósito transforma não só quem viaja, mas também quem recebe. Vá, Viaje, e que a Ilha do Combu seja apenas o começo!

 

Todas as indicações deste post, muitas delas feitas em parceria, refletem minha percepção e vivência, além do que acredito e me motiva: inspirar mais pessoas a viajarem, fornecer informações que facilitem a vida do viajante e compartilhar dicas reais sobre os lugares que tenho o privilégio de conhecer. 

Sou paulistana, vejo no mundo um quintal, aprendo e vivencio cada vez mais a brasilidade. Jornalista, apresentadora e viajante, decidi unir a formação em Comunicação a minha paixão por experiências em viagem, e compartilhar conteúdo que conecte pessoas, sonhos e muitas histórias. Assim como eu, deseja conhecer vários lugares? Então, inspire-se: Vá, Viaje!
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